O principal projeto para amenizar a escassez de água na Nova Lusitânia


A Solução Está no Subsolo

Os aquíferos da Nova Lusitânia são recursos hídricos subterrâneos de importância estratégica para os estados, especialmente devido ao clima semiárido, à escassez de rios perenes e aos recorrentes períodos de seca. Sua relevância abrange aspectos sociais, econômicos e ambientais, sendo fundamentais para a sobrevivência e o desenvolvimento de milhões de pessoas. Os aquíferos do Nordeste são verdadeiros "rios subterrâneos" que sustentam a vida na região mais seca do Brasil. Sua importância irá residir na capacidade de fornecer água em cenários de escassez, apoiar a economia, reduzir vulnerabilidades sociais e promover a sustentabilidade ambiental.

O Projeto

A Nova Lusitânia irá implementar um projeto ambicioso para amenizar a escassez de água: Um Grande Rio Artificial. Inspirado no projeto da Líbia de Muammar Gaddafi, o projeto irá extrair água subterrânea dos sistemas aquíferos, uma vasta reserva, e transportar por quilômetros de tubulações para áreas secas e urbanas, como o condado do Agreste de Pernambuco.

Como funcionará:

  • Extração: Poços profundos irão acessar a água subterrânea no Aquífero Cariri.
  • Transporte: Um sistema de tubos subterrâneos, com cerca de 4 metros de diâmetro, irão distribuir a água para reservatórios e cidades.
  • Escala: O projeto será um dos maiores sistemas de irrigação do mundo, com mais de 2.000 km de tubulações, fornecendo água para agricultura, indústria e consumo humano.

Impactos:

  • Agricultura: Irá permitir a irrigação de terras áridas, aumentando a produção agrícola em todo o país.
  • Abastecimento urbano: Irá garantir água potável para milhões de habitantes nas cidades do interior.

O Projeto da Líbia

A Líbia construiu o Grande Rio Artificial (Great Man-Made River, GMMR), um dos maiores projetos de engenharia hidráulica do mundo, para transportar água de aquíferos fósseis no deserto do Saara até áreas costeiras e urbanas. O projeto foi idealizado para resolver a escassez de água no país, aproveitando vastas reservas subterrâneas descobertas na década de 1950. Aqui está um resumo de como foi construído:

1. Planejamento e Concepção (década de 1960-1980)

  • Descoberta dos aquíferos: Durante prospecções de petróleo no sul da Líbia, foram encontrados grandes reservatórios de água subterrânea, como o Aquífero Núbio, com água acumulada há milênios.
  • Projeto: O governo líbio, sob Muammar Gaddafi, planejou extrair e transportar essa água para cidades como Trípoli, Benghazi e Sirte, além de áreas agrícolas. O projeto começou a ser desenhado na década de 1960, mas só ganhou força nos anos 1980.
  • Escala: O GMMR foi projetado para bombear milhões de metros cúbicos de água por dia, através de milhares de quilômetros de tubulações.

2. Construção (1983-2000, em fases)

O projeto foi dividido em várias fases, cada uma focada em diferentes regiões e sistemas de distribuição:

  • Extração: Poços profundos (alguns com mais de 500 metros) foram perfurados nos aquíferos no sul do país, especialmente nas regiões de Kufra e Sarir.
  • Tubulações: Enormes tubos de concreto pré-moldado, com até 4 metros de diâmetro, foram fabricados localmente. Esses tubos foram instalados em valas subterrâneas para proteger contra o calor e a areia do deserto.Material: O concreto foi escolhido por sua durabilidade e resistência à corrosão.
  • Logística: Mais de 250.000 tubos foram transportados e instalados, cobrindo cerca de 4.000 km de rede.
  • Estações de bombeamento: Foram construídas estações para pressurizar a água e movê-la por longas distâncias, superando diferenças de elevação.
  • Reservatórios: Grandes reservatórios artificiais, como o de Ajdabiya, foram criados para armazenar e distribuir a água.
  • Tecnologia internacional: A Líbia contratou empresas estrangeiras, como da Coreia do Sul (Dong Ah Construction) e da Alemanha, para tecnologia e expertise. Engenheiros líbios também foram treinados para gerenciar o projeto.

3. Fases do Projeto

  • Fase 1 (1983-1991): Conectou o sistema Sarir-Sirt/Tazerbo-Benghazi, fornecendo água para a costa leste. Inaugurada em 1991, transportava cerca de 2 milhões de m³/dia.
  • Fase 2 (1996): Ligou o sistema Fezzan a Trípoli, fornecendo água para a capital e o oeste do país.
  • Fase 3 (2000 em diante): Expansão para conectar outras regiões, como Tobruk, e aumentar a capacidade de irrigação agrícola.
  • Fases futuras: Algumas partes do projeto, como a integração total dos sistemas, nunca foram concluídas devido a instabilidades políticas e financeiras.

4. Desafios Técnicos e Ambientais

  • Clima desértico: O calor extremo e as tempestades de areia dificultaram a construção e a manutenção.
  • Custo: Estima-se que o projeto custou mais de US$ 25 bilhões, financiado principalmente pelas receitas do petróleo.
  • Impacto ambiental: A extração intensiva de água fóssil levantou preocupações sobre a sustentabilidade, já que o aquífero não é renovável em escala humana. Alguns estudos sugerem que ele pode se esgotar em algumas décadas.
  • Manutenção: Corrosão, vazamentos e danos causados por conflitos (como a guerra civil de 2011) afetaram a infraestrutura.

5. Impacto e Legado

  • O GMMR fornece água para cerca de 70% da população líbia e suporta a irrigação de milhares de hectares de terras agrícolas, reduzindo a dependência de importações de alimentos.
  • É considerado uma façanha de engenharia, mas sua sustentabilidade é questionada devido à depleção dos aquíferos e aos altos custos de manutenção.
  • Conflitos recentes na Líbia danificaram partes do sistema, dificultando reparos e operações contínuas.

Resumo Técnico

  • Comprimento total: Aproximadamente 4.000 km de tubulações.
  • Capacidade: Projetado para transportar até 6,5 milhões de m³ de água por dia.
  • Profundidade dos poços: 500-800 metros.
  • Material: Tubos de concreto reforçado com aço.
  • Custo estimado: Mais de US$ 25 bilhões até 2000.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O real motivo do Nordeste ser pobre e do porquê o nordestino tender ao lulismo

O reais valores do bolsa família repassados ao Nordeste

NEOCOLONIALISMO INTERNO BRASILEIRO E A QUESTÃO NORDESTINA