MANIFESTO SEPARATISTA DA NOVA LUSITÂNIA

Alguns argumentos a favor do separatismo da Nova Lusitânia 


Introdução

Por muito tempo, em nome da unidade e grandeza nacional, nossos estados ocuparam uma posição desfavorável no jogo inter-regional. É primordial que nós, lusitanos, tenhamos consciência disto.
Hoje, vivemos sob total escravidão via impostos e uma parte da nossa população recebendo auxílios sem perspectiva de futuro em um país que vem se desindustrializando, onde os únicos agraciados são outras regiões que detêm a concentração capitalista e industrial do país e uma elite cada vez mais parasita. Até quando seremos subjugados pelos desmandos de uma classe cleptocrata e sanguessuga, onde o único beneficiado são aqueles que buscam apenas manter o poder centralizador? 

O CERNE DA IDEIA DO NOSSO SEPARATISMO
A tese do separatismo respalda-se na busca de um modelo social e econômico que consiga romper, definitivamente, o ciclo de exploração neocolonial do nosso futuro país por parte de outras regiões e a extorsão fiscal pelo governo federal. A hipótese básica que permeia nossas conclusões é a de que a Nova Lusitânia, constituída em um país independente, teria muito mais chances e oportunidades de desenvolvimento. Feitas estas considerações, é possível enumerar alguns dos argumentos que dão sustentação à nossa tese separatista: 

Ligação Histórica 

A ligação histórica entre os estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco é profunda, enraizada em fatores econômicos, sociais, políticos, culturais e geográficos que moldaram o Nordeste brasileiro desde o período colonial até os dias atuais. Esses estados, localizados na porção oriental do Nordeste, compartilham uma trajetória marcada pela economia açucareira, pela resistência à dominação colonial e imperial, por movimentos sociais e políticos, pelas secas e pela identidade cultural nordestina. Abaixo, está as principais conexões históricas entre esses estados, com destaque para momentos e processos que reforçam sua interdependência.

1. Período Colonial: Economia Açucareira e Integração Regional
  • Economia do Açúcar: Durante os séculos XVI e XVII, Pernambuco foi o principal centro da economia açucareira no Brasil, com a Zona da Mata abrigando grandes engenhos. O sucesso econômico de Pernambuco influenciou os estados vizinhos, que também desenvolveram a cultura da cana-de-açúcar, embora em menor escala. A Paraíba, por exemplo, tornou-se uma extensão da economia açucareira pernambucana, com engenhos na região de Itamaracá e no litoral. O Rio Grande do Norte e o Ceará, menos propícios à cana devido ao clima semiárido, forneceram apoio logístico, como madeira e alimentos, e desenvolveram a pecuária para suprir os engenhos pernambucanos.
  • Comércio e Portos: O porto do Recife, em Pernambuco, era o principal ponto de escoamento do açúcar nordestino para a Europa, servindo como hub comercial para a Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Mercadorias e escravizados africanos desembarcavam no Recife e eram distribuídos para os estados vizinhos, criando uma rede econômica integrada.
  • Invasão Holandesa (1630-1654): A ocupação holandesa em Pernambuco, com a capital em Recife (Maurícia), teve impacto direto nos quatro estados. A Paraíba foi conquistada pelos holandeses em 1634, e o Rio Grande do Norte e o Ceará também sofreram incursões. A resistência à ocupação, culminando na Batalha dos Guararapes (1648-1649) em Pernambuco, envolveu colonos, indígenas e escravizados dos quatro estados, fortalecendo laços de solidariedade contra um inimigo comum.

2. Movimentos Separatistas e Resistência Política
  • Revolução Pernambucana (1817): Este movimento republicano e liberal, iniciado em Pernambuco, teve forte ligação com os estados vizinhos. Liderado por figuras como Domingos José Martins e Frei Caneca, a revolta buscava autonomia do domínio português e se espalhou para a Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Esses estados aderiram à revolução, proclamando governos republicanos provisórios. A repressão portuguesa, com apoio de tropas do Recife, foi sentida em toda a região, reforçando a percepção de uma luta compartilhada contra o centralismo colonial.
  • Confederação do Equador (1824): Após a Independência do Brasil, a insatisfação com o centralismo de D. Pedro I levou à Confederação do Equador, liderada por Pernambuco, mas com participação ativa da Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Frei Caneca (Pernambuco) e líderes como André de Albuquerque Maranhão (Ceará) articularam um movimento republicano e federalista, que propunha uma confederação nordestina independente. A repressão imperial uniu os estados na memória de resistência, com mártires como Frei Caneca tornando-se símbolos regionais.
  • Tradição de Resistência: Esses movimentos criaram uma identidade política compartilhada, com os quatro estados se vendo como protagonistas de lutas por autonomia e justiça social. Pernambuco, como centro econômico e cultural, frequentemente liderava, mas a colaboração com Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará era essencial.

3. Secas e Crises Sociais
  • Grandes Secas: As secas recorrentes, como as de 1877-1879, 1915, 1932 e 1979-1983, afetaram gravemente o Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, especialmente suas regiões semiáridas (Sertão). Essas crises geraram migrações em massa (retirantes) para cidades litorâneas, como Recife (PE), João Pessoa (PB), Natal (RN) e Fortaleza (CE), criando fluxos populacionais que fortaleceram laços entre os estados.
  • Solidariedade Regional: Durante as secas, os quatro estados colaboravam na assistência aos retirantes, com igrejas, elites locais e, mais tarde, órgãos como a Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas (IFOCS, atual DNOCS) coordenando esforços. Pernambuco, com o Recife como centro humanitário, recebia muitos migrantes do Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, enquanto Fortaleza também se tornava um polo de refúgio.
  • Impacto Político: As secas alimentaram movimentos sociais, como as Ligas Camponesas (década de 1950) em Pernambuco, que se espalharam para a Paraíba e o Ceará, exigindo reforma agrária. A exclusão agrária compartilhada reforçou a união dos estados em demandas por políticas públicas.

4. Cultura e Identidade Nordestina
  • Raízes Comuns: Os quatro estados compartilham uma herança cultural que mistura influências indígenas, africanas e portuguesas, expressa em manifestações como o maracatu (Pernambuco), o bumba meu boi (Ceará, Paraíba), o forró e a literatura de cordel (presentes em todos). Festividades como o São João unem as populações, com celebrações em Campina Grande (PB), Caruaru (PE) e outras cidades.
  • Intercâmbio Cultural: Pernambuco, com o Recife como capital cultural, influenciou os estados vizinhos por meio de movimentos como o Armorial (década de 1970), que valorizava a cultura nordestina. Ao mesmo tempo, o Ceará contribuiu com escritores como Rachel de Queiroz, e a Paraíba com poetas como Augusto dos Anjos, criando uma rede intelectual regional.
  • Língua e Costumes: O sotaque nordestino, os costumes sertanejos e a religiosidade (ex.: devoção a Padre Cícero, compartilhada por Ceará, Pernambuco e Paraíba) reforçam a identidade compartilhada. Eventos como o cangaço, liderado por Lampião (nascido em Pernambuco, mas ativo nos quatro estados), tornaram-se parte do folclore regional.

5. Integração Econômica e Social
  • Pecuária e Comércio: Desde o período colonial, o Ceará e o Rio Grande do Norte desenvolveram a pecuária no Sertão, fornecendo carne, couro e animais de tração para os engenhos de Pernambuco e Paraíba. Feiras regionais, como as de Campina Grande (PB) e Caruaru (PE), conectavam os estados, facilitando o comércio de produtos agrícolas e artesanais.
  • Migração Interna: As secas e a crise da economia açucareira levaram a fluxos migratórios entre os estados. Por exemplo, muitos cearenses migraram para Pernambuco durante a seca de 1877, enquanto pernambucanos se deslocaram para Fortaleza em busca de trabalho no século XX. Essas migrações criaram laços familiares e culturais.
  • Educação e Intelectuais: Universidades como a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e a Universidade Federal do Ceará (UFC) atraíram estudantes e professores dos quatro estados, promovendo intercâmbio intelectual. Figuras como Gilberto Freyre (Pernambuco) e Rodolfo Teófilo (Ceará) contribuíram para uma visão unificada do Nordeste.

6. Lutas Sociais e Políticas no Século XX
  • Ligas Camponesas (1950-1964): Iniciadas em Pernambuco, sob a liderança de Francisco Julião, as Ligas Camponesas se espalharam para a Paraíba e o Ceará, mobilizando trabalhadores rurais contra a exclusão agrária. A repressão às Ligas durante o regime militar (1964-1985) afetou os quatro estados, reforçando a solidariedade regional.
  • Regime Militar: Os quatro estados sofreram repressão política, com líderes como Miguel Arraes (Pernambuco) e Aluízio Alves (Rio Grande do Norte) sendo perseguidos. A exclusão econômica do Nordeste durante o regime, com investimentos concentrados no Sudeste, gerou uma resistência compartilhada, expressa em movimentos sindicais e estudantis.
  • Redemocratização (1985): Na transição democrática, os quatro estados apoiaram líderes nordestinos, como Tancredo Neves e, mais tarde, Lula (nascido em Pernambuco), que representavam a luta contra as desigualdades regionais. O peso eleitoral do Nordeste, incluindo Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, tornou-se crucial nas eleições nacionais.

7. Projetos de Desenvolvimento Regional
  • Sudene (1959): A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste, sediada no Recife, foi criada para promover o desenvolvimento dos quatro estados, entre outros. Projetos como a irrigação do Vale do São Francisco (beneficiando Pernambuco e Ceará) e o Porto de Suape (Pernambuco) reforçaram a integração econômica.
  • Transposição do São Francisco: Iniciada em 2007, a obra visa beneficiar o Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, fornecendo água ao Sertão. Apesar de críticas por atrasos, o projeto simboliza a interdependência dos estados na luta contra as secas.
  • Energia Renovável: Nos últimos anos, os quatro estados se tornaram líderes em energia eólica e solar, com parques eólicos no Rio Grande do Norte, Ceará e Paraíba, e investimentos em Pernambuco. Essa colaboração econômica reforça laços contemporâneos.

8. Desafios e Identidade Compartilhada
  • Exclusão Regional: Os quatro estados enfrentaram exclusão econômica e política em relação ao Sudeste, especialmente durante a Primeira República.

8. Desafios e Identidade Compartilhada (Continuação)
  • Exclusão Regional: Durante períodos como a Primeira República, a Era Vargas, e o Regime Militar, os quatro estados sofreram com a centralização econômica no Sudeste, que priorizava São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Essa exclusão gerou uma percepção compartilhada de marginalização, reforçando a identidade nordestina como uma resposta à negligência do governo central. Em Pernambuco, a crise da economia açucareira, combinada com secas devastadoras no Sertão (ex.: 1877, 1915, 1970), espelhava as dificuldades enfrentadas pelo Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba, criando uma solidariedade regional.
  • Resistência às Secas: As secas, um desafio histórico comum, uniram os estados em esforços para mitigar seus impactos. Projetos como a Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas (IFOCS, 1909) e, mais tarde, a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene, 1959), sediada no Recife, envolveram os quatro estados em iniciativas de construção de açudes, poços e sistemas de irrigação. Embora muitas vezes ineficientes, essas políticas reforçaram a interdependência dos estados na busca por soluções para o semiárido.
  • Identidade Nordestina: A experiência compartilhada de exclusão, resistência e crise moldou uma identidade nordestina forte, expressa em manifestações culturais, lutas políticas e orgulho regional. Os quatro estados, com suas tradições de maracatu, forró, cangaço e literatura de cordel, contribuíram para uma narrativa coletiva que valoriza a resiliência e a criatividade do Nordeste. Pernambuco, com sua influência cultural e política, frequentemente liderou esse processo, mas a colaboração com Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte foi essencial.

Momentos Históricos Específicos de Ligação
  • Cangaço (final do século XIX-início do XX): O cangaço, liderado por figuras como Lampião (nascido em Pernambuco), operou nos sertões dos quatro estados, desafiando o poder dos coronéis e do Estado. A figura de Lampião, presente no folclore e na cultura popular, simboliza a rebeldia nordestina compartilhada por Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco.
  • Movimento Tenentista (1920-1930): O tenentismo, que buscava reformas políticas e sociais, teve forte apoio nos quatro estados, com revoltas como a de 1924 em Pernambuco e a participação de líderes como Juarez Távora (Ceará). Esses movimentos reforçaram a colaboração regional contra o centralismo da Primeira República.
  • Luta pela Redemocratização (1970-1985): Durante o Regime Militar, os quatro estados enfrentaram repressão, mas também produziram resistência. Movimentos estudantis no Recife (PE), sindicatos rurais na Paraíba, e lideranças como Miguel Arraes (Pernambuco) e Aluízio Alves (Rio Grande do Norte) uniram os estados na luta pela redemocratização, culminando nas Diretas Já (1984).

Integração Contemporânea
  • Economia e Desenvolvimento: Em 2025, os quatro estados colaboram em projetos de desenvolvimento, como a produção de energia eólica (líderes nacionais, com destaque para Rio Grande do Norte e Ceará) e o turismo, com destinos como Porto de Galinhas (PE), Pipa (RN), João Pessoa (PB) e Jericoacoara (CE). O Porto de Suape (PE) e o Porto de Pecém (CE) integram a região ao comércio global, reforçando laços econômicos.
  • Educação e Cultura: Universidades como a UFPE (Pernambuco), UFC (Ceará), UFRN (Rio Grande do Norte) e UFPB (Paraíba) formam redes acadêmicas que conectam estudantes e pesquisadores. Festivais culturais, como o Festival de Inverno de Garanhuns (PE) e o São João de Campina Grande (PB), atraem visitantes dos quatro estados, promovendo intercâmbio cultural.
  • Política Regional: O peso eleitoral do Nordeste, com Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte contribuindo significativamente para vitórias de candidatos como Lula (2022), reforça a influência política da região. Esses estados frequentemente alinham suas demandas por mais investimentos federais e políticas de combate às desigualdades.

Desafios Compartilhados
  • Desigualdades Regionais: Apesar dos avanços, os quatro estados ainda enfrentam índices elevados de pobreza, especialmente no Sertão, e dependem de transferências federais. A percepção de exclusão em relação ao Sudeste persiste, embora não se traduza em movimentos separatistas.
  • Mudanças Climáticas: As secas, agravadas pelo aquecimento global, continuam a desafiar os estados, exigindo colaboração em políticas de convivência com o semiárido, como a transposição do rio São Francisco, que beneficia os quatro estados.
  • Crime Organizado: O crescimento de facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), afeta cidades como Recife, Fortaleza, Natal e João Pessoa, exigindo esforços conjuntos em segurança pública.
A ligação histórica entre Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco é marcada por uma trajetória compartilhada de economia açucareira, resistência política, lutas contra as secas, e uma identidade cultural nordestina vibrante. Desde a colaboração contra os holandeses no século XVII até os movimentos separatistas do século XIX (Revolução Pernambucana e Confederação do Equador), esses estados uniram forças em momentos de crise e transformação. As secas, o cangaço, as Ligas Camponesas e a resistência ao Regime Militar reforçaram laços de solidariedade, enquanto projetos como a Sudene e a energia renovável destacam a interdependência contemporânea. Pernambuco, com sua influência econômica e cultural, frequentemente liderou, mas a colaboração com Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte foi crucial para moldar a história e a identidade do Nordeste. Em 2025, esses estados continuam conectados por desafios comuns e pelo orgulho de sua herança, trabalhando juntos para superar desigualdades e afirmar seu papel no Brasil.
QUESTÃO LINGUÍSTICA Outra raiz está no perfil dos colonizadores da Nova Lusitânia. Portugal e Espanha dividem a Península Ibérica e, durante a União Ibérica (1580-1640), em que o território português foi absorvido pelo vizinho, o Brasil esteve mesmo sob controle da Coroa espanhola. Segundo Corominas, entre os principais grupos de europeus vindos para cá estão os galegos, um grupo com idioma próprio que vive num região entre os dois países. No idioma galego, uma língua românica que foi base para o português e tem influências do espanhol, há o verbo apurrar, que significa atiçar um cão, cuja raiz lembra o perro espanhol. A influência do galego e do castelhano sobre o português da Nova Lusitânia é sentida especialmente na fonética. Ainda hoje é comum ouvir entonces e donde, equivalentes castelhanos de “então" e “onde”.  Por vezes, quando pronunciamos semana, às vezes soa como no galego, somana ou sumana. Verbos como varrer, às vezes ditos como o espanhol barrer, inclusive já foram aceitos na gramática do português brasileiro escritos com a letra b. Outras palavras importadas direto do espanhol continuam presentes na nossa região, como a burundanga, que pode ser algo mal feito, confuso, sujo ou uma comida repugnante, de baixo valor nutricional. O gentílico "galego" por exemplo é atribuído na Nova Lusitânia a pessoas brancas de cabelos e olhos claros mesmo sem ser descendentes reais, já que um grande número de galegos se assentou na nossa região no começo do século XX.
Outro exemplo da herança galega na nossa língua é a expressão "aperreio" que veio da palavra "perro" que surgiu na idade média como uma forma popular e algo pejorativa de se referir a um cachorro. Esses e outros vocábulos são muito comuns na Nova Lusitânia. “Havia a unidade linguística galaico-portuguesa”, explica o professor de língua portuguesa e filologia da Universidade Federal do Ceará (UFC) Josenir Alcântara, “a partir dos traços fonéticos e lexicais, muito provavelmente, os primeiros colonizadores vieram do norte de Portugal, onde, até hoje, se constatam traços que remontam a essa antiga unidade linguística”. Quando o português usa GE, GI, JE ou JI, o galego usa XE ou XI. É assim que “ó gente” vira "oxente" e “virgem Maria” se converte em "vixe Maria". QUESTÃO GENÉTICA Além da cultura luso-galaico, também temos bastante herança holandesa sendo uma delas genética. Embora a variabilidade étnica presente na população lusitana seja o produto de um complexo processo de miscigenação entre indivíduos ameríndios, africanos e europeus que ocorreu durante o período colonial, a distribuição da contribuição genética desses três grupos ao longo do território lusitano não ocorreu de forma homogênea, ou seja, a proporção de ameríndios, africanos e europeus difere significativamente entre as regiões geográficas. Pequenas populações, tais como os Gangarras do Bandeira, oriundos do Brejo da Madre de Deus, em Pernambuco, vivem isoladas e ausentes de seu verdadeiro passado histórico, estes, por exemplo, acreditando que são descendentes de seus antigos colonizadores, os holandeses. A utilização de estudos com marcadores genéticos surge frente a estas dificuldades trazendo, por meio de análises no DNA, uma resposta para fatos que historicamente não foram esclarecidos. No ano 2000, um estudo genético feito pela Universidade Federal de Minas Gerais revelou que 19% dos nordestinos possuíam um marcador genético do cromossomo Y (haplogrupo 2) comum na Europa. O fato de este haplogrupo ser mais comum no Nordeste Brasileiro (19%) do que em Portugal (13%) fez os pesquisadores levantarem a hipótese de que esse “excesso” poderia ser devido à influência genética dos colonizadores holandeses que estiveram na região, no século XVII. Em estudo mais recente, realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará em parceria com a Universidade de Virgínia, a diversidade de DNA mitocondrial revelou que 57% do material genético da população do Semiárido (clima que está presente em 97% da região da Nova Lusitânia) é de origem luso ou holandesa. O mapeamento comparou determinados componentes das sequências de DNA dos cearenses, piauienses, potiguaras, pernambucanos e paraibanos. Segundo Gonsalves de Mello, cerca de 80 mil holandeses estiveram no Nordeste do Brasil na época da Nova Holanda. Após a derrota na Batalha de Guararapes, alguns dos flamengos que escolheram não voltar para casa se refugiaram justamente no Vale do Pajeú. Nesse sentido, os “Gangarras do Bandeira” se destacam. Trata-se de um grupo com 340 habitantes do Sítio Bandeira, no Agreste Pernambucano. Eles apresentam um fenótipo diferente da maioria dos moradores da região: são loiros com pele e olhos claros. O termo “gangarras” surgiu de uma ave de cor amarelada e de canto estridente e faz referência à cor dos cabelos e ao sotaque dessa população. Em outra pesquisa inédita de mapeamento genético no Ceará revela que os ameríndios têm a segunda maior predominância na origem de onde o cearense é descendente. Em primeiro, estão os genes dos nórdicos que habitaram o norte gelado da Europa. A pesquisa "GPS-DNA Origins Ceará" analisou as amostras de saliva de 160 cearenses, de todas as regiões do Estado e de várias etnias, a fim de mapear os povos que formaram essa população. Um dos objetivos era responder à pergunta-chave dos estudos de Parsifal Barroso no livro "O Cearense", lançado em 1969. À época, o autor se valeu de documentos e outros registros para construir sua teoria, mas, 50 anos depois, a tecnologia permitiu uma análise mais profunda das hipóteses. Luís Sérgio Santos, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e coordenador da pesquisa, explica que o resultado foi obtido a partir da metodologia GPS-DNA, criada pelo geneticista israelense-americano Eran Elhaik, consultor no estudo cearense. As amostras de saliva foram cruzadas com um banco de dados em laboratório, nos Estados Unidos, e permitiram a identificação de 28 grandes agrupamentos genéticos, chamados de "bolsões". "A colonização do Brasil veio da Península Ibérica, mas a pesquisa, de certo modo, desconstrói essa tese. Ela mapeia até o ano 400, então é um tempo muito anterior à fundação de Portugal. Os resultados mostram que o branco europeu que colonizou o Brasil era escandinavo, viking, visigodo, e antes disso, alemão", explica o pesquisador, reforçando: "Por serem predadores, destruidores e impassíveis, eles deram um banho genético na Europa". As regiões que tiveram mais força na identidade cearense foram o sul da França e a chamada Fenoscândia - que abrange Noruega, Suécia, Finlândia e Dinamarca. Na segunda posição do ranking da maior influência genética, fica o ameríndio, que provém da Sibéria e entra no novo continente por meio do Estreito de Bering, ponte natural entre a Rússia e os Estados Unidos. M as se o Ceará tem predominância de ancestrais europeus, por que não há tantos cabelos loiros e olhos mais claros? A resposta, conforme Luís Sérgio Santos, está na dominância de genes. "O nosso índio tem uma genética muito forte. Ele 'dilui' o branco e cria o pardo. Esse gene ameríndio está em todos nós, em maior ou menor quantidade", garante. O pesquisador acrescenta que os dados genéticos "só se sustentam" se tiverem amparo em levantamentos históricos para explicar os fluxos migratórios ao longo dos séculos. Por exemplo: o estudo mostra que, apesar da contribuição histórica na formação do brasileiro, o negro não teve tanta força no Ceará. As maiores influências são de bantos do Congo, na África subsaariana, e de outro povo que habitava a ilha de Madagascar. Com esses estudos, conclui-se que a maioria da população da região da Nova Lusitânia, possui maior ancestralidade europeia do que ameríndio e africana. Questão social Os Estados da Nova Lusitânia possuem os IDHs mais altos da região nordeste do Brasil. Isso é simplesmente um divisor de águas pois o IDH é uma ferramenta essencial, por mensurar indicadores de saúde, educação, renda, qualidade de vida e moradia. Isso já diz tudo no que se refere na nossa diferença em relação aos outros estados do nordeste. A FALTA DE UM PROJETO NACIONAL Este é mais um argumento básico para a tese separatista. Não há e nem nunca houve no Brasil um projeto sincero e efetivo de integração nacional, diferentemente do que ocorreu em muitos outros países com dimensões territoriais e populacionais semelhantes. Quando muito, justiça seja feita, poder-se-ia dizer que, à época da ditadura militar das décadas de sessenta e de setenta, pôde-se presenciar alguma iniciativa de integração que, infelizmente, esbarraria no caos econômico e inflacionário dos anos de abertura democrática que acompanhou as disputas políticas pela nova partição do poder. Em última instância, a carência de um projeto nacional representa, no plano político, a falta de solidariedade que existe, de fato, entre os cidadãos de diferentes regiões e distintas classes sociais. À ausência do projeto de integração, pode-se, portanto, creditar, ou até explicar, a maior parte das desigualdades sociais, econômicas e regionais dos dias atuais, revalidando a ideia de Francisco de Oliveira, nos anos sessenta, de que o Brasil se assemelha a um “arquipélago nacional” (cujas ilhas regionais só se articulariam em decorrência da mera expansão capitalista do Sudeste, que requereu, primeiro, a construção de estradas e, segundo, a construção de malhas televisivas nacionais). Talvez tenha sido por estes motivos que o geógrafo pernambucano, Manuel Correia de Andrade, influenciado pela tese de Chico de Oliveira, afirmou, com muita propriedade, que o Brasil, desse modo, não constitui uma nação bem característica e amalgamada com uma solidariedade entre pessoas e culturas diversas, mas um aglomerado de grupos sociais heterogêneos que, muitas vezes, ocupam uma mesma área, mas não sentem solidariedade entre si. (ANDRADE, 1997). CONCLUSÃO Dentro dessa linha de raciocínio, portanto, a luta autodeterminista é acima de tudo uma luta pela realização integral do homem lusitano em busca da sua própria identidade nacional. É nesse novo palco que as potencialidades humanas individuais e coletivas poderão prosperar e realizarem-se. Assim, de forma alguma a República Federativa do Brasil pode ser entendida como uma verdadeira e única nação. Ela é um Estado Plurinacional, não Nacional, e que retira a liberdade dos seus povos nacionais, abandonando-os à indiferença. Afinal, quem foi que ditou essa pretensa “Nacionalidade Brasileira”? Porventura foi o próprio povo? Porventura ela não foi imposta aos povos por acordos palacianos lá de fora? Não seria direito dos povos reverem esta vergonhosa e insustentável situação? Não teriam eles direito a participar da definição da própria nacionalidade? Não seria direito de cada povo constituir-se em Estado Soberano? Ou devem os povos deixar de herança para suas descendências algo que, além de indigno e sem futuro, afronta os mais básicos princípios morais? Se a Nova Lusitânia e as outras Regiões querem separar-se, e libertarem-se do jugo central, não significa nenhuma animosidade. Significa, isso sim, amor e ao mesmo tempo credibilidade que cada um terá competência de “fazer-se” melhor sem interferência do outro. Com a independência, as relações vigorantes que hoje são neutras, e às vezes até hostis, certamente tornar-se-ão mais saudáveis e benéficas para todos.

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